Tecnologia da Informação: cuidados antes de levar essa pizza ao forno.
Artigo da Revista Ícaro.
Artigo da Revista Ícaro (Texto de Augusto Pinto)
Nos últimos tempos o mundo da tecnologia, particularmente o da tecnologia da informação, se sofisticou bastante, se complicou bastante e terminou se tornando uma fonte tanto de soluções como de perplexidades. Multiplicam-se os nichos, ampliam-se as ofertas de cada provedor, fica tudo ao mesmo tempo muito parecido – e confuso!
Resultado 1: não é fácil escolher a solução de TI mais adequada, os processos de compra demoram, os contratos ficam tímidos.
Resultado 2: um perigoso atraso no uso de soluções de TI, críticas para o negócio, por parte da empresa. O que é grave, pois hoje, do fornecedor à manufatura, do distribuidor ao consumidor, e mesmo internamente, sem soluções de TI adequadas nenhuma empresa vai longe.
Qual a melhor saída, então, para quem compra ou vende tecnologia?
Se me desculpam a comparação, diria que o primeiro passo é entender a tecnologia da informação como uma pizza de seis camadas superpostas e que, curiosamente, deve ser montada a partir do centro. Aí, uma vez pronta – e bem entendida – é só escolher a fatia certa para o seu negócio.
Vamos, pois, tentar montar essa pizza?
INTEGRAÇÃO NÃO É, NECESSARIAMENTE, COLABORAÇÃO
A primeira camada desta nossa pizza tecnológica, a mais interna, é a da infra-estrutura. Nela estão ingredientes fundamentais: provedores de bases de dados, ferramentas de desenvolvimento, ferramentas de teste e monitoramento, hardware e software para storage e para a rede, servidores de diversos tipos, microcomputadores, roteadores, switches... Todas as bases tecnológicas das grandes aplicações de gestão do negócio.
A segunda camada é a dos softwares aplicativos de gestão. Aqui vamos encontrar uma animada sopa de siglas: ERP’s, DRP’s, CRM’s, SCM’s e outros softwares do gênero, que viabilizam a gestão do Back Office (finanças, RH, vendas, suprimentos, produção) e do Front Office (centros de atendimento a clientes, automação dos canais de vendas, automação dos pontos-de-vendas). Importante: tudo que se desenvolve nessa camada de gestão deve ser coerente com a camada de infra adotada.
A terceira camada é a da integração. Ela começou com arquivos transferindo dados entre diferentes aplicações, evoluiu para o EDI, mais recentemente para o WEB EDI, e atualmente para o EAI (Enterprise Application Integration). O EAI é um novo segmento de TI que se relaciona com tecnologias (software, hardware, serviços) utilizadas na integração entre empresas, computador a computador. O objetivo é agilizar a performance dos negócios entre empresas que decidem trabalhar integradas – bancos, indústrias, empresas de logística...
A quarta camada é a da colaboração. O pré-requisito aqui é a integração, mas empresas integradas não necessariamente trabalham colaborativamente. Quando, por exemplo, uma empresa envia um borderô eletrônico para um banco, ambos estão trabalhando integrados, nas não em colaboração. Para atuar colaborativamente, duas empresas precisam trocar regras de negócio e permitir que seus sistemas ERP interajam diretamente. Se um fabricante de pneus monitora os estoques de uma montadora e a supre automaticamente sempre que existe necessidade, estas duas empresas trabalham num processo colaborativo, com as conseqüências financeiras, contábeis e fiscais inerentes.
Na quinta camada, a da inteligência, os sistemas de EIS (Executive Information Systems) e, mais recentemente, de BI (Business Intelligence) permitem que se explore de forma criativa as informações aprovisionadas pelos sistemas de gestão. O EIS permite ao top management transformar relatórios analíticos do ERP em gráficos, fáceis de entender. O BI é um passo além: permite que o executivo invente, ele próprio, consultas específicas, que variam conforme suas necessidades de momento. A camada de inteligência vem valorizar os investimentos feitos em sistemas de gestão e permite algo decisivo no mundo dos negócios: relacionar dados, intuir o futuro, avaliar tendências.
A última camada é a personalização da interface com o usuário. É onde a internet, intranet, os portais públicos e privados
facilitam a vida dos usuários, adequando o menu de aplicações às necessidades específicas de cada um.
Cinco perguntas para quem decide
Na hora de optar por uma determinada solução ou tecnologia, algumas estratégicas que podem ajudar quem escolhe, aprova ou paga compras em TI:
- Uma certa camada que pretendo comprar agora faz sentido quando considero a pizza como um todo? BI sem um bom sistema de gestão não faz, por exemplo, o menor sentido...
Uma nova tecnologia que estamos comprando, embarcada em uma determinada solução, é compatível com nossa camada de infra-estrutura?
Quando duas empresas decidem trabalhar colaborativamente, é preciso que haja harmonia entre as soluções de gestão que cada uma adotou. Isso foi devidamente discutido entre elas?
O top management da empresa entende a importância de um plano estratégico de TI? Se este plano existe, seu owner é o próprio CEO. Se ele foi delegado para o CIO, ou para o gerente de informática, este não é um bom começo.
Sua empresa já tem uma estratégia de internet?
Na onda da web sem planejamento o que se consegue é... morrer na praia.
Não mande buscar pizza em churrascaria
Uma infra-estrutura sólida, uma eficiente tecnologia de gestão, a integração caminhando para a colaboração, inteligência para interpretar os dados estocados nas distintas camadas, uso personalizado dos recursos – é essa a pizza tecnológica perfeita?
Em princípio, sim. Mas falta ainda escolher e harmonizar os ingredientes, os sabores. Isto é: os produtos e fornecedores de cada camada devem ser escolhidos segundo a fatia da empresa no mercado: serviços financeiros, energia, manufatura, varejo... As soluções de gestão para um banco não serão as mesmas para uma empresa de telecomunicação.
É fundamental que os provedores de soluções estejam cada vez integrados e conheçam bem os segmentos da indústria em que atuam. Raramente uma boa empresa de Integração pode ser igualmente boa como Software Factory, e vice-versa.
Como você sabe, raramente uma churrascaria serve uma boa pizza...
Nos últimos tempos o mundo da tecnologia, particularmente o da tecnologia da informação, se sofisticou bastante, se complicou bastante e terminou se tornando uma fonte tanto de soluções como de perplexidades. Multiplicam-se os nichos, ampliam-se as ofertas de cada provedor, fica tudo ao mesmo tempo muito parecido – e confuso!
Resultado 1: não é fácil escolher a solução de TI mais adequada, os processos de compra demoram, os contratos ficam tímidos.
Resultado 2: um perigoso atraso no uso de soluções de TI, críticas para o negócio, por parte da empresa. O que é grave, pois hoje, do fornecedor à manufatura, do distribuidor ao consumidor, e mesmo internamente, sem soluções de TI adequadas nenhuma empresa vai longe.
Qual a melhor saída, então, para quem compra ou vende tecnologia?
Se me desculpam a comparação, diria que o primeiro passo é entender a tecnologia da informação como uma pizza de seis camadas superpostas e que, curiosamente, deve ser montada a partir do centro. Aí, uma vez pronta – e bem entendida – é só escolher a fatia certa para o seu negócio.
Vamos, pois, tentar montar essa pizza?
INTEGRAÇÃO NÃO É, NECESSARIAMENTE, COLABORAÇÃO
A primeira camada desta nossa pizza tecnológica, a mais interna, é a da infra-estrutura. Nela estão ingredientes fundamentais: provedores de bases de dados, ferramentas de desenvolvimento, ferramentas de teste e monitoramento, hardware e software para storage e para a rede, servidores de diversos tipos, microcomputadores, roteadores, switches... Todas as bases tecnológicas das grandes aplicações de gestão do negócio.
A segunda camada é a dos softwares aplicativos de gestão. Aqui vamos encontrar uma animada sopa de siglas: ERP’s, DRP’s, CRM’s, SCM’s e outros softwares do gênero, que viabilizam a gestão do Back Office (finanças, RH, vendas, suprimentos, produção) e do Front Office (centros de atendimento a clientes, automação dos canais de vendas, automação dos pontos-de-vendas). Importante: tudo que se desenvolve nessa camada de gestão deve ser coerente com a camada de infra adotada.
A terceira camada é a da integração. Ela começou com arquivos transferindo dados entre diferentes aplicações, evoluiu para o EDI, mais recentemente para o WEB EDI, e atualmente para o EAI (Enterprise Application Integration). O EAI é um novo segmento de TI que se relaciona com tecnologias (software, hardware, serviços) utilizadas na integração entre empresas, computador a computador. O objetivo é agilizar a performance dos negócios entre empresas que decidem trabalhar integradas – bancos, indústrias, empresas de logística...
A quarta camada é a da colaboração. O pré-requisito aqui é a integração, mas empresas integradas não necessariamente trabalham colaborativamente. Quando, por exemplo, uma empresa envia um borderô eletrônico para um banco, ambos estão trabalhando integrados, nas não em colaboração. Para atuar colaborativamente, duas empresas precisam trocar regras de negócio e permitir que seus sistemas ERP interajam diretamente. Se um fabricante de pneus monitora os estoques de uma montadora e a supre automaticamente sempre que existe necessidade, estas duas empresas trabalham num processo colaborativo, com as conseqüências financeiras, contábeis e fiscais inerentes.
Na quinta camada, a da inteligência, os sistemas de EIS (Executive Information Systems) e, mais recentemente, de BI (Business Intelligence) permitem que se explore de forma criativa as informações aprovisionadas pelos sistemas de gestão. O EIS permite ao top management transformar relatórios analíticos do ERP em gráficos, fáceis de entender. O BI é um passo além: permite que o executivo invente, ele próprio, consultas específicas, que variam conforme suas necessidades de momento. A camada de inteligência vem valorizar os investimentos feitos em sistemas de gestão e permite algo decisivo no mundo dos negócios: relacionar dados, intuir o futuro, avaliar tendências.
A última camada é a personalização da interface com o usuário. É onde a internet, intranet, os portais públicos e privados
facilitam a vida dos usuários, adequando o menu de aplicações às necessidades específicas de cada um.
Cinco perguntas para quem decide
Na hora de optar por uma determinada solução ou tecnologia, algumas estratégicas que podem ajudar quem escolhe, aprova ou paga compras em TI:
- Uma certa camada que pretendo comprar agora faz sentido quando considero a pizza como um todo? BI sem um bom sistema de gestão não faz, por exemplo, o menor sentido...
Uma nova tecnologia que estamos comprando, embarcada em uma determinada solução, é compatível com nossa camada de infra-estrutura?
Quando duas empresas decidem trabalhar colaborativamente, é preciso que haja harmonia entre as soluções de gestão que cada uma adotou. Isso foi devidamente discutido entre elas?
O top management da empresa entende a importância de um plano estratégico de TI? Se este plano existe, seu owner é o próprio CEO. Se ele foi delegado para o CIO, ou para o gerente de informática, este não é um bom começo.
Sua empresa já tem uma estratégia de internet?
Na onda da web sem planejamento o que se consegue é... morrer na praia.
Não mande buscar pizza em churrascaria
Uma infra-estrutura sólida, uma eficiente tecnologia de gestão, a integração caminhando para a colaboração, inteligência para interpretar os dados estocados nas distintas camadas, uso personalizado dos recursos – é essa a pizza tecnológica perfeita?
Em princípio, sim. Mas falta ainda escolher e harmonizar os ingredientes, os sabores. Isto é: os produtos e fornecedores de cada camada devem ser escolhidos segundo a fatia da empresa no mercado: serviços financeiros, energia, manufatura, varejo... As soluções de gestão para um banco não serão as mesmas para uma empresa de telecomunicação.
É fundamental que os provedores de soluções estejam cada vez integrados e conheçam bem os segmentos da indústria em que atuam. Raramente uma boa empresa de Integração pode ser igualmente boa como Software Factory, e vice-versa.
Como você sabe, raramente uma churrascaria serve uma boa pizza...