Segundo Tim Berners-Lee, a Web Semântica é uma extensão da Web tradicional
Segundo Tim Berners-Lee, a Web Semântica é uma extensão da Web tradicional, onde, a partir do uso intensivo de metadados, espera-se obter o acesso automatizado às informações, com base no processamento semântico de dados e heurísticas feitos por máquinas.
Para tal, desde 1998, a equipe da W3C (World Wide Web Consortium) vem trabalhando arduamente no desenvolvimento de tecnologias avançadas, que visam à representação estrutural e semântica dos recursos na Web. Essas tecnologias, aliadas à teoria de domínios ou ontologias, permitem oferecer um serviço Web com um nível maior de qualidade.
Dentro destas perspectivas, a Web será capaz de tecer uma rede extensa de conhecimento humano, podendo ainda, por meio do processamento via máquina, inferir novos conhecimentos.
As tecnologias acima mencionadas englobam desde linguagens de transporte de dados, como o XML (Extensible Markup Language); para representação da estrutura desses dados, tais como o RDF (Resource Description Framework); e linguagens para representação da semântica desses dados, entre elas DAML+OIL e OWL, explicitando restrições sobre a semântica do mundo real. Aliadas a essa gama de linguagens, há também as ferramentas para manipulação das ontologias, a exemplo do OntoEdit, do Kaon e do Protegé, entre outras.
A serviço da inteligência coletiva
A EAD está centrada no ambiente Web e, como tal, só tem a se beneficiar com o uso dessas tecnologias. O conceito de learning-objects, tão importante no desenvolvimento de ferramentas para manipulação de conteúdos instrucionais na Web, pode ser utilizado no contexto de uma rede semântica, na qual seus componentes estariam relacionados por intermédio de associações, além de abrigar os metadados que os descrevem.
A tecnologia atual possibilita atribuir maior semântica a esses conteúdos, permitindo ao usuário buscar nós com base no relacionamento semântico que cada um tem com o outro e não simplesmente pelos metadados simples, tais como "Quem é o autor do material X?". A representação da semântica dos dados permite aos mecanismos de busca maior precisão e qualidade na recuperação de informações, beneficiando diretamente o desenvolvimento das aplicações EAD.
O filósofo francês Pierre Lévy define a Web Semântica como "ferramenta" necessária para o desenvolvimento da inteligência coletiva. Segundo ele, a semântica da Web é a elaboração de um sistema de códigos. Não é necessário que as pessoas utilizem uma nova língua - cada um utilizará sua própria - , mas haverá um software que traduzirá o que está sendo escrito ou dito para uma língua universal.
O HTML é uma linguagem que se tornou muito interessante para os usuários, mas os links só têm sentido em seu contexto. Para as "máquinas", não é possível traduzir a informação, pois a orientação do HTML é para apresentação. Por isso, a importância dos metadados, relacionando os recursos semanticamente e tendo os conteúdos descritos de forma clara (enquanto o HTML trabalha com palavras-chave, o XML trabalha com metadados).
Alguns questionamentos foram feitos, entre eles: Como a Web Semântica poderia ajudar o trabalho de seleção e organização dos conteúdos do curso? Como ela estaria relacionada aos mapas conceituais? A criação desses mapas possibilitará a criação da ontologia de uma área de conhecimento? O desenvolvimento de ferramentas de mapas conceituais vão auxiliar na criação de ontologias de uma mesma área? De posse de ferramentas computacionais eficientes e eficazes, incorremos no erro de dar passos para trás, isto é, ao invés de avançarmos na possibilidade de construção de redes de conhecimentos, criaremos mapas e ontologias "prescritivas" de diferentes áreas do saber?
Para alguns, a Web Semântica é a Web do futuro. As pesquisas atuais estão buscando tecnologias para tornar mais eficazes as localizações das informações na Web. As ontologias surgem para atender a essa necessidade. Os mapas conceituais procuram mostrar os conceitos de uma determinada área do conhecimento e suas relações, podendo, assim, ajudar na criação de sua respectiva ontologia.